segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O SOM DO SILÊNCIO

É hora!
Há um som de silêncio eterno
Que se escuta e não se compreende.
É o inaudito que se estende no infinito
Encerrando o fluxo da existência.

É hora!
Freneticamente um clamor chama a inércia
E se divide entre bules, plantas e roupas abandonadas
Sacramentando a orfandade dos que ficam
Com abraços enterrados em lembranças.

É hora!
Não há relógio, cronômetro ou ampulheta
Para esse tempo que chega invisível

É hora!
Como vento sorrateiro de inverno
Veio levar uma flor para dançar!





(Homenagem para minha tia Lourdes)

sábado, 1 de outubro de 2016

desAPARECER
desapareSER
DES pare SER
DESCER
DE SER
para onde?
na lama da profundidade
eternaMente enRAIZada?
SUBIR
SUB IR
acima, além?
voos altos? Sim, de Ícaro.
Borboletear, talVEZ
sem SER BOBOleta.
voos RAZAntes na superfície
dos encontros.
DEVIR
DE VIR
VIR de onde?
pré-vir..vir..virTUal.
VirAtual.
ATUAlizar-nos
atuaLIZA
potências...reticências...




SECRETAS SECRECÕES

Abri a noite
E encharquei os dedos no seu líquido escuro.
Suores de uivos espremidos ressurgiram entre espasmos
E na pele minava a doce baba dos poros:
Estrelas gotejantes entre pernas.
A solidão ferozmente rosnou salivando presas fúteis
E a língua lacrimejou uma canção
Apenas coriza de uma alma constipada.



domingo, 27 de março de 2016

ANJO

Surges.. 
Eu desatenta
Pelos vales da escuridão

Me chama
Dê-me a mão
Convide-me a caminhar

Então
Estamos nós
Em teu delírio
Me arrancando
O riso

Me abraça
E teu corpo quente
É minha proteção
Contra a dor

É anestesia
Seu amor



domingo, 14 de fevereiro de 2016

És uma unidade povoada..
Caminha sob as sombras com teus mil pés
E ainda sim sua carne estremece solitária.
Nenhuma existência deixará de pisar no altar da Solidão,
Ainda que embriague teus sentidos com a fantasia do encontro,
São apenas solidões que se encontram.


sábado, 2 de janeiro de 2016

Uma miragem...
Oásis recôndito perdido em ilusões de infância. 
Invisível, desenha nas areias a solidão de estar junto,
Uma injúria nascida de úteros estéreis. 
Nem abortada,
Nem deficiente,
Nascida morta, entre ancas de penumbras putrificadas.
Talvez não seja como as folhas que despencam secas das árvores noturnas,
Mas como os rizomas que se alastram sem consciência, 
Arrombando existências sem por quê. 
Sem saída, o único passo torto arriscado é para longe,
Toda distância provada amargamente
Em cada desviar de olhares, em cada tropeço do toque, em cada pequeno esquecimento
É um buraco negro alargando-se infinitamente 
Para que os caminhos se desviem para sempre.



domingo, 27 de setembro de 2015

À um Vampiro

Tua chegada noturna torturou-me o espírito,
Abriu-me os portais da imortalidade
E entre sangue, conectou minha existência à sua.
Condenados estamos ao nosso eterno passeio pelas entranhas da noite
Vagando lado a lado, sucumbidos pelo nosso sombrio amor.